29/04/2026
O metabolismo felino é diferente do observado em cães, especialmente no que diz respeito à metabolização hepática de fármacos. Os gatos apresentam atividade reduzida da enzima UDP-glicuroniltransferase, responsável pelo processo de glicuronidação, uma importante via de detoxificação hepática.
Essa limitação fisiológica compromete a eliminação de diversas substâncias, tornando os felinos mais suscetíveis à toxicidade medicamentosa. Por isso, medicamentos seguros em outras espécies podem representar risco significativo para gatos.
Risco de toxicidade medicamentosa
A menor capacidade de glicuronidação aumenta a permanência de metabólitos potencialmente tóxicos no organismo. O exemplo clássico é o paracetamol, que pode causar necrose hepática grave e metemoglobinemia mesmo em pequenas doses.
Outras classes que exigem atenção incluem:
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● anti-inflamatórios não esteroidais
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● analgésicos
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● anticonvulsivantes
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● alguns antibióticos
A prescrição deve sempre considerar doses específicas para felinos e intervalos adequados.
Monitoramento hepático é essencial
Diante da maior sensibilidade hepática, o acompanhamento laboratorial é indispensável durante tratamentos farmacológicos.
As principais alterações observadas incluem:
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● elevação de ALT
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● aumento de AST
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● elevação de fosfatase alcalina
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● hiperbilirrubinemia
O monitoramento é especialmente importante em terapias prolongadas, pacientes geriátricos ou gatos com histórico de doença hepática.
Prática clínica mais segura
Reconhecer que o metabolismo dos gatos é distinto reduz riscos iatrogênicos e melhora a segurança terapêutica. Avaliação prévia da função hepática e acompanhamento bioquímico durante o tratamento permitem identificar alterações precocemente e ajustar condutas.
No ZooGene, os exames bioquímicos oferecem suporte confiável para monitoramento hepático e decisões clínicas mais seguras.
