05/02/2026
A confiabilidade de um exame laboratorial não depende apenas de equipamentos modernos ou de uma equipe técnica qualificada. Grande parte da qualidade do resultado está diretamente relacionada à fase pré-analítica, que engloba desde a solicitação do exame até a chegada da amostra ao laboratório. Entre todos os fatores dessa etapa, um dos mais crítico, e muitas vezes subestimado, é o respeito ao volume correto de sangue no tubo de coleta.
Cada tubo é projetado para receber uma quantidade específica de sangue, de forma que haja uma proporção exata entre o volume coletado e o aditivo presente. Quando essa proporção não é respeitada, ocorrem interferências químicas e celulares capazes de comprometer todo o processo diagnóstico.
A relação entre volume de sangue e aditivos
Os tubos de coleta contêm anticoagulantes ou outros aditivos em quantidades previamente calculadas pelos fabricantes. Esses aditivos têm funções específicas, como impedir a coagulação, preservar células ou estabilizar determinados analitos.
Quando o tubo é preenchido abaixo ou acima do volume recomendado, o equilíbrio entre sangue e aditivo é perdido, o que pode resultar em:
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● diluição inadequada da amostra;
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● alterações morfológicas celulares;
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● interferência nas reações químicas dos exames;
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● resultados falsamente aumentados ou diminuídos;
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● necessidade de recoleta e atraso no diagnóstico.
Por isso, respeitar a marcação do tubo não é um detalhe técnico, mas sim uma etapa essencial para garantir a fidelidade do exame.
Impactos do volume inadequado conforme o tipo de tubo
Tampa roxa – EDTA
O tubo com EDTA é amplamente utilizado para exames hematológicos, como o hemograma. O EDTA atua quelando o cálcio, impedindo a coagulação do sangue e preservando as células para análise.
Quando o volume de sangue coletado é inferior ao recomendado, podem ocorrer:
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● diluição excessiva da amostra;
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● retração e distorção das hemácias;
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● alterações morfológicas em leucócitos;
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● agregação plaquetária;
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● falsas trombocitopenias;
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● contagens celulares incorretas.
Essas alterações comprometem diretamente a interpretação do hemograma, podendo levar a diagnósticos equivocados de anemia, leucopenia, leucocitose ou distúrbios plaquetários.
Tampa azul – citrato de sódio
Os tubos com citrato de sódio são indicados para exames de coagulação, como tempo de protrombina (TP), tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) e fibrinogênio. A proporção correta, geralmente, é de 9 partes de sangue para 1 parte de anticoagulante.
Quando essa proporção não é respeitada, podem ocorrer:
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● tempos de coagulação falsamente prolongados, devido ao excesso de citrato;
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● tempos falsamente encurtados, quando há pouco anticoagulante;
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● coagulação parcial da amostra;
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● interpretação incorreta de distúrbios da hemostasia.
Em exames de coagulação, pequenas variações no volume podem causar grandes impactos clínicos, especialmente em pacientes críticos ou em avaliações pré-operatórias.
Tampa vermelha – sem anticoagulante
Os tubos sem anticoagulante são utilizados para a obtenção de soro, muito empregado em exames bioquímicos, hormonais e sorológicos. Nesses tubos, o sangue deve coagular de forma adequada antes da centrifugação.
Quando o volume de sangue é inadequado, podem ocorrer:
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● formação inadequada do coágulo;
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● hemólise;
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● retenção de proteínas, enzimas e células no coágulo;
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● alterações nos valores bioquímicos;
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● resultados inconsistentes e pouco reprodutíveis.
Esses fatores interferem diretamente na qualidade do soro e na confiabilidade dos exames realizados a partir dele.
Tampa cinza – fluoreto de sódio / oxalato de potássio
Esse tipo de tubo é utilizado principalmente para a dosagem de glicose, pois o fluoreto de sódio inibe a glicólise, preservando a concentração do analito após a coleta.
Quando o volume não é respeitado, podem ocorrer:
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● hemólise da amostra;
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● valores falsamente baixos de glicose;
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● vinterferência do excesso de aditivo nas reações analíticas;
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● erros diagnósticos em distúrbios metabólicos.
Essas alterações são especialmente relevantes em pacientes com suspeita de hipoglicemia ou diabetes, nos quais a precisão do resultado é fundamental.
Principais erros pré-analíticos relacionados ao volume
Entre os erros mais comuns observados na rotina laboratorial, destacam-se:
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● tubos preenchidos parcialmente;
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● uso inadequado do tipo de tubo;
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● desconhecimento da proporção correta sangue:aditivo;
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● homogeneização incorreta após a coleta;
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● falta de padronização dos procedimentos de coleta.
Esses erros aumentam a taxa de amostras rejeitadas, geram retrabalho, elevam custos e podem atrasar o início do tratamento.
Boas práticas para garantir resultados confiáveis
Para evitar interferências pré-analíticas e garantir a qualidade dos exames laboratoriais, é fundamental adotar boas práticas, como:
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● respeitar rigorosamente o volume indicado em cada tubo;
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● utilizar o tubo correto para cada exame solicitado;
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● seguir a ordem correta de coleta;
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● realizar homogeneização suave e adequada;
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● investir em treinamento contínuo da equipe envolvida na coleta.
Essas medidas simples fazem uma grande diferença na segurança diagnóstica.
O compromisso do ZooGene com a excelência diagnóstica
No ZooGene, a qualidade do diagnóstico começa na coleta e se estende por todas as etapas do processo laboratorial. O laboratório conta com tecnologia de ponta, automação avançada e uma equipe técnica altamente capacitada, além de oferecer assessoria científica especializada para apoio aos médicos-veterinários.
Cada amostra é tratada com rigor técnico, responsabilidade e compromisso com a saúde animal, garantindo resultados confiáveis e interpretações seguras.
Respeitar o volume correto de sangue no tubo é um dos pilares para a obtenção de resultados laboratoriais precisos. Um erro simples na coleta pode comprometer toda a análise, gerar diagnósticos equivocados e impactar diretamente a conduta clínica.
Por isso, reforçamos: qualidade começa na coleta e se completa na interpretação científica. No ZooGene, cada detalhe importa, porque no diagnóstico laboratorial, cada amostra conta.
