05/02/2026
A leishmaniose canina é uma doença infecciosa causada pelo protozoário Leishmania e transmitida pela picada de flebotomíneos, conhecidos popularmente como mosquitos-palha. Essa enfermidade representa um grave problema de saúde pública e animal em muitas regiões do Brasil e do mundo.
Um dos maiores desafios no manejo clínico da leishmaniose em cães é o diagnóstico precoce. E, surpreendentemente, a pele é muitas vezes o primeiro órgão a manifestar alterações que podem indicar a presença da doença.
Reconhecer esses sinais dermatológicos é fundamental para que o médico-veterinário possa agir rapidamente, evitando que o quadro evolua para estágios mais graves e sistêmicos, que são mais difíceis de tratar.
Neste artigo, vamos aprofundar o conhecimento sobre os principais sinais dermatológicos da leishmaniose canina, discutir sua importância para o diagnóstico precoce e apresentar as melhores práticas para confirmar a doença e iniciar o tratamento adequado.
O que é leishmaniose canina?
A leishmaniose é causada por diferentes espécies do protozoário Leishmania, sendo a Leishmania infantum a mais comum na América Latina e a principal responsável pela leishmaniose visceral canina.
Essa doença pode se manifestar de forma cutânea, mucocutânea ou visceral, dependendo da espécie e do sistema imunológico do animal.
No Brasil, a leishmaniose visceral canina (LVC) é considerada a forma mais grave, pois pode levar à morte se não for tratada a tempo.
Os cães são o principal reservatório urbano do parasita e podem apresentar uma ampla variedade de sinais clínicos, dos quais os dermatológicos são os primeiros e mais comuns.
Por que a pele é um órgão-chave para o diagnóstico?
A pele é o maior órgão do corpo e funciona como uma barreira contra agentes externos. Quando o organismo está sob ataque ou sofrendo alterações sistêmicas, a pele pode manifestar sinais visíveis que indicam problemas internos.
Na leishmaniose canina, o parasita pode infectar macrófagos presentes na pele, causando inflamação local e diversas alterações clínicas que se tornam um importante indicativo para os clínicos.
Além disso, muitos cães não apresentam sinais sistêmicos evidentes nas fases iniciais da doença, o que torna a avaliação dermatológica ainda mais crucial para identificar casos precocemente.
Sinais dermatológicos comuns da leishmaniose canina
Dermatite esfoliativa
A dermatite esfoliativa é uma das manifestações mais frequentes e caracteriza-se pela presença de descamação fina, branca e difusa na superfície da pele. Essa descamação pode ser percebida em áreas como orelhas, dorso e região cervical.
Esse quadro resulta da inflamação crônica e da presença do parasita nos tecidos cutâneos, levando à alteração da renovação celular e comprometendo a integridade da barreira epidérmica.
O diagnóstico diferencial deve considerar outras causas de dermatite esfoliativa, como dermatofitoses, alergias e deficiências nutricionais, o que reforça a necessidade da investigação laboratorial.
Úlceras, nódulos e crostas
Lesões ulcerativas, nódulos e crostas são comuns, especialmente em áreas de maior atrito ou exposição, como bordas das orelhas, focinho e patas.
As úlceras são decorrentes da destruição local dos tecidos causada pela resposta inflamatória e pelo parasita, e podem ser dolorosas ou assintomáticas.
Nódulos, por sua vez, podem ser formados pela proliferação de células inflamatórias e parasitárias, enquanto as crostas se formam na tentativa da pele de se regenerar sobre áreas lesionadas.
Onicogrifose
A onicogrifose é caracterizada pelo crescimento exagerado, espessamento e deformação das unhas. Esse sinal é menos frequente, mas muito característico da leishmaniose.
A alteração pode levar a desconforto, dor e até dificuldades na locomoção do animal, prejudicando sua qualidade de vida.
Hiperqueratose nasal e plantar
A hiperqueratose consiste no espessamento e endurecimento da pele, que pode ser observado especialmente no nariz e nas almofadas plantares dos cães infectados.
Essa alteração é resultado do acúmulo anormal de queratina, o que torna essas regiões mais secas e rígidas, podendo predispor a fissuras e infecções secundárias.
Lesões mucocutâneas
As lesões podem aparecer também em regiões mucocutâneas, como pavilhão auricular, pálpebras e o plano nasal, regiões que possuem pele mais fina e sensível.
Essas lesões podem variar de simples eritemas até áreas ulceradas, comprometendo não só a estética, mas também o conforto do animal.
Quando a pele é o primeiro alerta: importância do exame dermatológico detalhado
Em muitos casos, o tutor pode não perceber sinais clínicos sistêmicos, e a doença pode ser silenciosa durante meses.
Por isso, o exame dermatológico cuidadoso durante as consultas de rotina pode revelar alterações que indicam a presença da leishmaniose antes que ela evolua para fases mais críticas.
Avaliar cuidadosamente as áreas típicas e realizar um histórico detalhado, com perguntas sobre ambiente, exposição a vetores e sintomas associados, é essencial para a detecção precoce.
Exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico
A confirmação da leishmaniose exige exames laboratoriais específicos, que devem ser solicitados assim que houver suspeita clínica.
Sorologia
A sorologia é o exame mais comum e detecta anticorpos contra o parasita. Técnicas como ELISA e imunofluorescência indireta são usadas para essa finalidade.
Apesar de útil, a sorologia pode apresentar resultados falso-positivos em animais expostos sem doença ativa, e falso-negativos em fases muito precoces.
PCR (Reação em Cadeia da Polimerase)
O PCR detecta o DNA do parasita, sendo uma técnica muito sensível e específica.
É especialmente útil em casos com resultados sorológicos duvidosos ou em animais assintomáticos com alta suspeita clínica.
Citologia
A análise citológica de lesões cutâneas pode identificar amastigotas de Leishmania dentro de macrófagos.
É um exame direto e rápido, com boa sensibilidade, mas pode apresentar limitações em casos com poucas lesões ou baixa carga parasitária.
Os sinais dermatológicos da leishmaniose canina são muito mais do que simples alterações estéticas, são um verdadeiro alerta para uma doença que pode ser fatal.
Ao valorizar o exame clínico dermatológico e associá-lo a exames laboratoriais adequados, o médico-veterinário pode garantir o diagnóstico precoce, aumentar as chances de sucesso no tratamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
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