05/02/2026
O leucograma é uma das ferramentas mais importantes da hematologia veterinária, pois reflete de forma direta a resposta do sistema imune e o funcionamento da medula óssea diante de diferentes estímulos fisiológicos e patológicos. Alterações como leucocitose, leucopenia e desvios no padrão de maturação dos leucócitos fornecem informações valiosas sobre processos inflamatórios, infecciosos, imunológicos e até endócrinos.
Interpretar corretamente essas alterações exige não apenas a análise dos valores absolutos, mas também a avaliação da distribuição das células, da morfologia celular e do contexto clínico do paciente.
O que é o leucograma e por que ele é tão importante
O leucograma é a parte do hemograma responsável pela avaliação quantitativa e qualitativa dos leucócitos, incluindo neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos. Ele permite identificar padrões de resposta inflamatória, imunológica e medular.
Mais do que números, o leucograma revela como o organismo está reagindo a desafios internos ou externos, funcionando como um verdadeiro retrato da atividade imunológica naquele momento.
Leucocitose: quando os leucócitos estão aumentados
A leucocitose é caracterizada pelo aumento do número total de leucócitos circulantes. Essa alteração pode ocorrer por diferentes motivos, sendo a neutrofilia a alteração mais frequentemente observada.
Entre as principais causas de leucocitose, destacam-se:
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● processos inflamatórios agudos;
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● infecções bacterianas;
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● resposta ao estresse;
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● uso de corticosteroides;
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● necrose tecidual;
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● algumas neoplasias.
Em processos inflamatórios agudos, a neutrofilia ocorre devido à liberação de neutrófilos maduros armazenados na medula óssea e nos compartimentos marginais. Quando a demanda é intensa, a medula aumenta sua atividade para suprir o consumo periférico.
Leucopenia: quando a defesa está reduzida
A leucopenia é definida pela redução do número total de leucócitos no sangue periférico e representa uma condição de maior risco clínico, pois indica diminuição da capacidade de defesa do organismo.
As principais causas de leucopenia incluem:
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● infecções virais graves;
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● endotoxemia;
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● septicemia;
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● depressão ou falha medular;
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● consumo excessivo de neutrófilos em processos inflamatórios intensos;
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efeitos adversos de fármacos.
Em muitos casos, a leucopenia ocorre quando há esgotamento das reservas de neutrófilos da medula óssea, situação que pode evoluir rapidamente para quadros graves se não for identificada e tratada precocemente.
Desvio à esquerda: sinal de resposta inflamatória ativa
O desvio à esquerda é caracterizado pela presença aumentada de neutrófilos imaturos, como bastonetes, no sangue periférico. Essa alteração indica que a medula óssea está liberando células ainda não totalmente maduras para suprir uma demanda inflamatória aumentada.
O desvio à esquerda é comumente observado em:
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● infecções bacterianas;
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● inflamações intensas;
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● necrose tecidual;
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● processos sépticos.
Quando o desvio à esquerda é acentuado e acompanhado de alterações tóxicas nos neutrófilos, como vacuolização citoplasmática, grânulos tóxicos ou corpúsculos de Döhle, o achado sugere inflamação sistêmica de maior gravidade e pior prognóstico.
Desvio à direita: maturação celular prolongada
O desvio à direita é caracterizado pela presença de neutrófilos hipersegmentados, ou seja, células mais maduras que permaneceram por mais tempo na circulação.
Essa alteração pode indicar:
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● resposta medular retardada;
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● processos inflamatórios crônicos;
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● fase de recuperação de processos inflamatórios;
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● uso prolongado de corticosteroides.
Diferentemente do desvio à esquerda, o desvio à direita não indica inflamação ativa intensa, mas sim uma modulação da resposta inflamatória ao longo do tempo.
A importância da morfologia celular
Além da contagem absoluta dos leucócitos, a avaliação da morfologia celular é essencial para a interpretação correta do leucograma. Alterações morfológicas fornecem informações adicionais sobre a gravidade e a cronicidade do processo.
Entre as principais alterações morfológicas observadas, destacam-se:
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● toxicidade neutrofílica;
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● vacuolização citoplasmática;
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● granulação tóxica;
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● corpúsculos de Döhle;
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● alterações degenerativas.
Esses achados reforçam a necessidade de avaliação microscópica criteriosa, complementando os dados fornecidos pelos analisadores automatizados.
Correlação clínica: essencial para o diagnóstico
Nenhuma alteração do leucograma deve ser interpretada de forma isolada. A correlação com o quadro clínico, histórico do paciente, exames complementares e evolução temporal é fundamental para um diagnóstico assertivo.
O mesmo padrão leucocitário pode ter significados diferentes dependendo do contexto, da espécie, da idade e da condição clínica do animal.
O papel do laboratório no suporte ao clínico
No ZooGene, a análise do leucograma vai além da liberação de valores numéricos. Cada amostra passa por avaliação criteriosa da morfologia celular, garantindo a identificação de alterações relevantes que impactam diretamente a interpretação clínica.
A equipe técnica e científica do ZooGene está preparada para oferecer suporte na leitura dos resultados, auxiliando o médico-veterinário na condução dos casos e na tomada de decisões mais seguras.
Leucocitose, leucopenia e desvios no leucograma são reflexos diretos da resposta do organismo frente a inflamações, infecções e alterações da medula óssea. Avaliar o leucograma completo, com atenção aos valores absolutos e à morfologia celular, é essencial para compreender o estágio, a intensidade e a gravidade do processo inflamatório.
No diagnóstico laboratorial, cada célula conta uma história e o leucograma revela a resposta do organismo.
