05/02/2026
Você sabia que o momento em que se aplica a última dose da série vacinal de cães e gatos é determinante para a eficácia da imunização?
Segundo as diretrizes da WSAVA (World Small Animal Veterinary Association – Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais), a série primária deve ser finalizada a partir das 16 semanas de idade, garantindo que o sistema imunológico do animal esteja realmente preparado para desenvolver uma resposta protetora eficaz.
Antes dessa fase, os anticorpos maternos, transmitidos ao filhote durante a gestação e a amamentação, podem interferir na ação da vacina, neutralizando parte dos antígenos e reduzindo a formação da imunidade ativa.
Por isso, respeitar o calendário correto é essencial para que a imunização seja completa, duradoura e segura.
Como funcionam os anticorpos maternos
Durante as primeiras semanas de vida, os filhotes contam com uma imunidade temporária fornecida pelos anticorpos da mãe. Essa proteção é fundamental para evitar infecções precoces, mas tem duração limitada e pode interferir nas vacinas aplicadas antes das 16 semanas.
Na prática, esses anticorpos podem neutralizar o vírus vacinal antes que ele estimule o sistema imune do filhote a produzir sua própria defesa. Assim, mesmo que o animal receba todas as doses iniciais, ele pode não desenvolver imunidade adequada se o protocolo terminar precocemente.
Por isso, a última dose da série vacinal primária deve sempre ser aplicada aos 4 meses de idade ou mais, quando a interferência dos anticorpos maternos já é mínima.
O papel do reforço (booster) vacinal
A WSAVA também recomenda que, após o término da série primária, seja aplicado um booster vacinal entre 6 e 12 meses de idade. Esse reforço tem o objetivo de:
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● garantir a memória imunológica de longo prazo;
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● proteger os animais que não desenvolveram resposta adequada na série inicial;
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● consolidar a imunidade frente aos principais agentes infecciosos.
Esse cuidado é especialmente importante em cães e gatos que vivem em ambientes com alta exposição a outros animais ou em regiões com maior incidência de doenças infecciosas.
Por que seguir protocolos vacinais atualizados
A vacinação é um dos pilares da medicina preventiva veterinária.
No entanto, aplicar vacinas sem considerar as diretrizes atualizadas pode comprometer a eficácia do programa de imunização.
As recomendações da WSAVA são baseadas em evidências científicas recentes, que consideram fatores como:
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● resposta imune em diferentes faixas etárias;
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● duração real da imunidade conferida pelas vacinas;
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● riscos de falha vacinal quando há interferência dos anticorpos maternos.
Seguir esses protocolos ajuda a reduzir casos de imunização incompleta e a evitar surtos de doenças preveníveis, como cinomose, parvovirose, hepatite infeciosa, para influenza e leptospirose em cães e rinotraqueíte, calicivirose, panleucopenia e chlamydia em felinos.
Protocolos vacinais para cães e gatos: principais recomendações
Cães
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● Série primária: iniciar entre 6 e 8 semanas de idade, com intervalos de 3 a 4 semanas entre as doses, até pelo menos as 16 semanas.
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● Reforço (booster): entre 6 e 12 meses após a última dose da série primária.
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● Revacinações: de acordo com o risco individual, histórico vacinal e avaliação do médico-veterinário.
Gatos
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● Série primária: iniciar entre 6 e 8 semanas, repetindo a cada 3–4 semanas até as 16 semanas ou mais.
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● Reforço (booster): entre 6 e 12 meses após a série primária.
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● Revacinações: podem ser anuais ou trienais, dependendo do tipo de vacina (core ou não-core) e da exposição ambiental do animal.
Esses protocolos garantem que o sistema imunológico esteja completamente competente e reduzam o risco de falhas vacinais.
Vacinas “core” e “não-core”: o que significam?
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● Core (essenciais): indicadas para todos os cães e gatos, independentemente do estilo de vida.
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Cães: cinomose, hepatite infecciosa canina (adenovirose tipo 1), parvovirose e raiva.
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Gatos: panleucopenia, rinotraqueíte (herpesvírus tipo 1), calicivirose e raiva.
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● Não-core (opcionais): recomendadas conforme a exposição e o risco regional.
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Cães: leptospirose, tosse dos canis, giardíase.
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Gatos: clamidiose e leucemia felina (FeLV).
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O médico-veterinário é quem avalia quais vacinas devem ser incluídas em cada protocolo, considerando fatores como ambiente, idade, histórico e estilo de vida do animal.
O impacto da vacinação responsável na saúde populacional
Além da proteção individual, a vacinação tem um papel coletivo: ela reduz a circulação de agentes infecciosos no ambiente e contribui para a imunidade de rebanho entre cães e gatos.
Isso é especialmente importante para doenças de alta transmissibilidade, como a cinomose e a panleucopenia felina.
O cumprimento dos protocolos vacinais protege não apenas o pet, mas também os demais animais com os quais ele convive e, em alguns casos, até a saúde pública, considerando zoonoses como a raiva.
A importância do acompanhamento veterinário
Mesmo com protocolos bem definidos, cada animal é único. Doenças pré-existentes, uso de medicamentos imunossupressores e condições nutricionais podem afetar a resposta vacinal. Por isso, cabe ao médico-veterinário:
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● avaliar o histórico clínico e vacinal;
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● determinar o momento ideal para cada dose;
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● identificar possíveis contraindicações temporárias;
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● registrar corretamente as aplicações e os reforços.
O acompanhamento profissional garante que o calendário vacinal seja individualizado, seguro e realmente eficaz.
A série vacinal de cães e gatos deve sempre seguir as recomendações internacionais mais recentes, garantindo que a última dose seja aplicada a partir das 16 semanas de idade e que o reforço vacinal entre 6 e 12 meses seja realizado.
Esses cuidados asseguram uma resposta imunológica duradoura, reduzem falhas vacinais e fortalecem a medicina preventiva. O papel do médico-veterinário é essencial nesse processo tanto na orientação aos tutores quanto na implementação de protocolos vacinais baseados em ciência e evidências.
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