05/02/2026
O coração é um dos órgãos mais vitais do organismo, responsável por garantir que oxigênio e nutrientes cheguem a cada célula do corpo. Ele funciona como uma bomba incansável, que precisa manter ritmo, força e precisão para que todos os sistemas permaneçam em equilíbrio.
Quando essa função é comprometida, surge um quadro de insuficiência cardíaca em cães e gatos, uma condição que, se não diagnosticada e tratada precocemente, compromete gravemente a saúde e a qualidade de vida do animal.
Ao contrário do que muitos imaginam, a insuficiência cardíaca não significa que o coração parou de funcionar, mas sim que ele já não consegue atender às necessidades metabólicas do organismo.
Essa falha pode ser consequência de alterações estruturais ou funcionais do órgão e desencadeia uma série de mecanismos compensatórios que, em vez de ajudar, aceleram a progressão da doença.
Alterações no coração que levam à insuficiência cardíaca
Diversas condições podem afetar a função cardíaca em pequenos animais. Entre as principais alterações envolvidas estão:
- hipertrofia da parede cardíaca: espessamento do músculo cardíaco, geralmente como resposta à sobrecarga de trabalho.
- fibrose miocárdica: substituição de tecido cardíaco saudável por tecido cicatricial, o que reduz a elasticidade e dificulta o bombeamento eficiente.
- disfunção diastólica: incapacidade do coração relaxar adequadamente entre os batimentos, comprometendo o enchimento ventricular.
- disfunção sistólica: redução da força de contração, diminuindo a quantidade de sangue bombeada a cada batida.
Essas alterações fazem com que o coração não consiga enviar sangue suficiente para o corpo, desencadeando respostas compensatórias que criam um ciclo vicioso.
O corpo em “modo de emergência”
Quando o coração não dá conta de sua função, o organismo tenta compensar a falha ativando diferentes mecanismos. A curto prazo, eles podem manter a circulação estável. Mas, a longo prazo, acabam sendo prejudiciais:
- sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA): promove retenção de sódio e água para aumentar o volume sanguíneo.
- ativação do sistema nervoso simpático: acelera os batimentos e contrai os vasos sanguíneos, tentando manter a pressão arterial.
- liberação de vasopressina: retém ainda mais líquidos, elevando a sobrecarga hídrica.
Embora úteis no início, essas adaptações aumentam a pressão sobre o coração, favorecem arritmias, remodelamento cardíaco e perda progressiva da função cardíaca.
Sinais clínicos: como identificar a insuficiência cardíaca
Um dos grandes desafios no diagnóstico é que os sintomas podem surgir de forma gradual e serem confundidos com sinais de envelhecimento. Por isso, a atenção dos tutores e o acompanhamento veterinário são fundamentais. Entre os principais sinais estão:
- Tosse persistente, principalmente à noite ou após atividades físicas;
- Fadiga fácil ou intolerância ao exercício;
- Respiração acelerada, dificuldade respiratória ou engasgos;
- Letargia e redução da disposição;
- Perda de peso e de massa muscular;
- Desmaios ou síncopes ocasionais.
Nos estágios mais avançados, podem ocorrer edema pulmonar (acúmulo de líquido nos pulmões, que causa dificuldade respiratória intensa) e ascite (acúmulo de líquido no abdômen, levando a distensão abdominal).
Diagnóstico: um olhar integrado sobre o coração
Detectar a insuficiência cardíaca exige uma abordagem completa, que combine observação clínica, exames de imagem e laboratoriais.
- ecocardiografia: avalia a estrutura e a função do coração em tempo real, sendo fundamental para identificar alterações de contração, espessura e dilatação das câmaras cardíacas.
- radiografias de tórax: permitem observar aumento do coração e sinais de congestão pulmonar.
- biomarcadores cardíacos (NT-proBNP): indicam sobrecarga cardíaca e ajudam na detecção precoce.
- exames laboratoriais complementares: ureia, creatinina, eletrólitos e perfil hepático são essenciais, já que a insuficiência cardíaca pode afetar diretamente rins e fígado, e as terapias também exigem monitoramento próximo dessas funções.
Esse conjunto de exames possibilita um diagnóstico mais assertivo, orienta o tratamento e auxilia no acompanhamento da evolução clínica.
Manejo e tratamento: foco na qualidade de vida
O tratamento da insuficiência cardíaca em pequenos animais envolve uma combinação de medicamentos, ajustes de estilo de vida e acompanhamento frequente. O objetivo é prolongar a sobrevida, reduzir sintomas e oferecer conforto ao paciente.
As principais estratégias incluem:
- diuréticos: ajudam a controlar o acúmulo de líquidos, aliviando a respiração e reduzindo a congestão.
- inibidores da ECA: bloqueiam a ativação do SRAA, diminuindo a sobrecarga cardíaca.
- fármacos inotrópicos: melhoram a força de contração do coração.
- controle nutricional: dietas balanceadas e adaptadas reduzem a sobrecarga metabólica e mantêm a condição corporal adequada.
- exames de acompanhamento: ajustes na terapia devem ser feitos regularmente, de acordo com a evolução clínica e os resultados laboratoriais.
É importante ressaltar que cada paciente é único. O sucesso do tratamento depende da adaptação constante do protocolo terapêutico, da parceria entre médico-veterinário e tutor e do monitoramento contínuo.
A importância da prevenção e do acompanhamento
A insuficiência cardíaca muitas vezes se desenvolve silenciosamente, tornando os exames de rotina uma ferramenta indispensável. Identificar precocemente alterações estruturais, metabólicas ou laboratoriais permite intervenções antes que os sintomas se agravem.
O acompanhamento preventivo, especialmente em animais idosos ou com predisposição genética a doenças cardíacas, é o caminho mais seguro para preservar a qualidade de vida e prolongar a longevidade dos pets.
No ZooGene, oferecemos um portfólio completo de exames laboratoriais que auxiliam no diagnóstico, monitoramento e acompanhamento da insuficiência cardíaca em cães e gatos. Nossa missão é transformar resultados em informações estratégicas, que orientem o médico-veterinário na tomada de decisões clínicas seguras e assertivas. Entre em contato e fale com nossos especialistas.
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