O metabolismo felino é diferente do observado em cães, especialmente no que diz respeito à metabolização hepática de fármacos. Os gatos apresentam atividade reduzida da enzima UDP-glicuroniltransferase, responsável pelo processo de glicuronidação, uma importante via de detoxificação hepática.
Essa limitação fisiológica compromete a eliminação de diversas substâncias, tornando os felinos mais suscetíveis à toxicidade medicamentosa. Por isso, medicamentos seguros em outras espécies podem representar risco significativo para gatos.
A menor capacidade de glicuronidação aumenta a permanência de metabólitos potencialmente tóxicos no organismo. O exemplo clássico é o paracetamol, que pode causar necrose hepática grave e metemoglobinemia mesmo em pequenas doses.
Outras classes que exigem atenção incluem:
● anti-inflamatórios não esteroidais
● analgésicos
● anticonvulsivantes
● alguns antibióticos
A prescrição deve sempre considerar doses específicas para felinos e intervalos adequados.
Diante da maior sensibilidade hepática, o acompanhamento laboratorial é indispensável durante tratamentos farmacológicos.
As principais alterações observadas incluem:
● elevação de ALT
● aumento de AST
● elevação de fosfatase alcalina
● hiperbilirrubinemia
O monitoramento é especialmente importante em terapias prolongadas, pacientes geriátricos ou gatos com histórico de doença hepática.
Reconhecer que o metabolismo dos gatos é distinto reduz riscos iatrogênicos e melhora a segurança terapêutica. Avaliação prévia da função hepática e acompanhamento bioquímico durante o tratamento permitem identificar alterações precocemente e ajustar condutas.
No ZooGene, os exames bioquímicos oferecem suporte confiável para monitoramento hepático e decisões clínicas mais seguras.
A resposta ao jejum em gatos é metabolicamente distinta da observada em cães e deve sempre ser tratada como potencialmente grave. Como carnívoros estrictos, os felinos dependem de aporte contínuo de proteínas. Quando ocorre anorexia ou jejum prolongado, o organismo mobiliza gordura de forma intensa para suprir a demanda energética.
O problema é que o fígado do gato tem capacidade limitada de metabolizar grandes quantidades de lipídios. Essa sobrecarga favorece o acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos, levando ao desenvolvimento de lipidose hepática felina, uma das hepatopatias mais graves da rotina clínica.
Mais do que falta de apetite, o jejum em gatos representa um risco metabólico real.
Mesmo com baixa ingestão calórica, o metabolismo felino continua exigindo proteína. Diante da anorexia, ocorre rápida mobilização lipídica periférica, que ultrapassa a capacidade hepática de oxidação e exportação de gordura.
Gatos obesos, idosos ou submetidos a estresse intenso apresentam risco ainda maior. Mudanças ambientais, pós-operatório, doenças inflamatórias ou infecciosas frequentemente desencadeiam o quadro.
Em poucos dias de anorexia, especialmente em animais com sobrepeso, já pode haver comprometimento hepático significativo.
Os sinais mais comuns incluem:
● anorexia persistente
● perda de peso rápida
● letargia
● icterícia
● episódios de vômito
Laboratorialmente, observam-se:
● elevação de ALT
● aumento de fosfatase alcalina
● hiperbilirrubinemia
A icterícia clínica geralmente acompanha as alterações bioquímicas. O diagnóstico é sustentado por perfil hepático alterado e exames de imagem, como ultrassonografia abdominal.
Diferentemente dos cães, gatos não toleram bem períodos sem alimentação. A anorexia por mais de 24 a 48 horas já deve ser investigada.
A abordagem inclui:
● identificação da causa primária
● avaliação bioquímica completa
● instituição rápida de suporte nutricional
● monitoramento laboratorial seriado
Em muitos casos, é necessário iniciar uma alimentação assistida para interromper o ciclo metabólico que leva à lipidose. Intervenção precoce aumenta significativamente as chances de recuperação.
O perfil bioquímico é essencial para detectar precocemente alterações hepáticas associadas ao jejum prolongado. Ele permite avaliar a gravidade do comprometimento hepático e monitorar a resposta terapêutica.
Anorexia em felinos é urgência clínica. Diagnóstico precoce e suporte nutricional imediato são determinantes para o desfecho.
No ZooGene, os exames bioquímicos auxiliam na identificação rápida das alterações hepáticas e apoiam decisões clínicas mais seguras.
A cistite bacteriana em cães e gatos é uma inflamação da bexiga causada pela colonização bacteriana do trato urinário inferior. É mais comum em cães, especialmente fêmeas adultas, enquanto, nos gatos, grande parte das doenças urinárias tem origem não bacteriana.
Os principais agentes envolvidos incluem Escherichia coli, Staphylococcus spp., Proteus spp. e Enterococcus spp.. A infecção costuma ocorrer por via ascendente, e fatores como urolitíase, diabetes mellitus, doença renal crônica e uso prévio de antimicrobianos aumentam o risco.
O desafio clínico não está apenas em tratar, mas em confirmar corretamente o diagnóstico e identificar possíveis causas de base.
Os sinais mais frequentes são:
● Polaciúria
● Disúria
● Estrangúria
● Hematúria
● Micção inapropriada
Geralmente não há sinais sistêmicos. Porém, em infecções complicadas, pode haver apatia ou febre.
É essencial lembrar: nem toda cistite é bacteriana, principalmente em gatos jovens. O tratamento empírico sem confirmação laboratorial pode mascarar outras causas e favorecer resistência antimicrobiana.
O diagnóstico deve ser sustentado por exames adequados.
A cistocentese é o método de escolha para coleta, reduzindo risco de contaminação. A urinálise pode evidenciar hematúria, piúria, bacteriúria, proteinúria discreta, cristais e células epiteliais de transição. A associação entre bacteriúria e piúria fortalece a suspeita clínica.
A confirmação exige urocultura com antibiograma, especialmente em casos recorrentes, pacientes com comorbidades, infecções em machos ou falhas terapêuticas. O antibiograma direciona a escolha antimicrobiana e reduz tratamentos ineficazes.
A classificação influencia diretamente a conduta.
● Cistite simples: primeiro episódio em paciente saudável, com boa resposta a tratamento curto.
● Cistite complicada: associada a doenças de base, alterações anatômicas, recorrência ou resistência bacteriana, exigindo investigação complementar.
O uso repetido de antibióticos sem cultura tem aumentado a resistência bacteriana na rotina clínica. A escolha empírica pode prolongar infecções e limitar futuras opções terapêuticas.
Diagnóstico adequado protege o paciente e fortalece a prática veterinária baseada em evidência.
No ZooGene, a identificação bacteriana precisa e o antibiograma confiável oferecem suporte essencial à tomada de decisão clínica.
A cistite bacteriana em cães e gatos exige raciocínio estruturado, coleta adequada e confirmação laboratorial. Diagnosticar corretamente reduz recidivas e melhora o prognóstico.
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O diabetes mellitus em cães e gatos raramente surge de forma isolada. Na rotina clínica, é comum que a doença esteja associada a condições que promovem resistência insulínica ou comprometam diretamente a função pancreática. Ignorar essas comorbidades pode dificultar o controle glicêmico e comprometer o prognóstico.
Para além da insulinoterapia, o sucesso terapêutico depende da identificação e manejo das doenças correlacionadas.
Entre os fatores mais associados ao desenvolvimento do diabetes mellitus estão:
● obesidade
● alimentação excessiva
● baixa atividade física
● uso prolongado de glicocorticoides ou progestágenos
A obesidade, em especial, tem papel central na resistência insulínica, tanto em cães quanto em gatos. O tecido adiposo atua como órgão metabolicamente ativo, liberando mediadores inflamatórios que reduzem a sensibilidade à insulina.
Outras condições também merecem atenção, como doença renal crônica, alterações da tireoide e doenças periodontais crônicas — todas capazes de interferir no equilíbrio metabólico.
Algumas enfermidades exercem impacto direto na manutenção da hiperglicemia e tornam o controle do diabetes mais desafiador.
Nos cães, o hiperadrenocorticismo é uma das causas mais importantes de resistência insulínica. Já nos gatos, destaca-se a acromegalia, frequentemente subdiagnosticada, mas associada à dificuldade de estabilização glicêmica.
A pancreatite também exerce papel relevante, comprometendo ainda mais a função das células beta pancreáticas. Além disso, infecções crônicas, especialmente do trato urinário, mantêm o estado inflamatório e dificultam o controle metabólico.
Quando o paciente diabético não responde adequadamente ao protocolo terapêutico, a investigação dessas comorbidades deve ser prioridade.
O laboratório é peça-chave na identificação dessas doenças associadas.
A presença de:
● hiperglicemia persistente
● glicosúria
● dislipidemia
● alterações inflamatórias
deve motivar investigação complementar.
O rastreamento glicêmico periódico é fundamental, especialmente em pacientes com doenças predisponentes. Detectar precocemente alterações metabólicas permite intervir antes que o quadro evolua.
Mais do que confirmar o diabetes, o diagnóstico laboratorial ajuda a compreender o contexto clínico completo do paciente.
Tratar o diabetes mellitus em cães e gatos exige visão ampla. Ajustar insulina sem investigar comorbidades pode gerar frustração clínica e recorrência de descompensações.
A abordagem integrada, clínica e laboratorial, aumenta a previsibilidade terapêutica e melhora a qualidade de vida do paciente.
No ZooGene, os exames laboratoriais auxiliam na investigação de doenças correlacionadas e no monitoramento do controle metabólico de pacientes diabéticos.
Diagnóstico preciso é o primeiro passo para tratamento eficaz.
A progesterona é um hormônio esteroide produzido principalmente pelo corpo lúteo e desempenha papel central no ciclo estral das fêmeas. Na prática veterinária, sua dosagem é uma ferramenta indispensável tanto no manejo reprodutivo quanto na investigação de alterações hormonais.
Mais do que um valor isolado, a interpretação da progesterona exige correlação com o estágio do ciclo estral e com o contexto clínico do paciente.
Além do acompanhamento reprodutivo, a dosagem hormonal tem papel estratégico no planejamento de protocolos de inseminação com sêmen refrigerado ou congelado, nos quais o timing é determinante para o sucesso. Pequenas variações nas concentrações séricas podem alterar completamente a conduta, reforçando a importância de análises seriadas e metodologias laboratoriais consistentes.
Em casos de repetição de cio, infertilidade ou falhas gestacionais, a progesterona também pode auxiliar na identificação de disfunções luteais ou alterações ovarianas, contribuindo para um raciocínio clínico mais preciso e direcionado.
Após o pico de LH e a ovulação, ocorre aumento progressivo da concentração sérica de progesterona. Esse padrão hormonal permite identificar com maior precisão as fases do ciclo estral, especialmente em cadelas.
A dosagem seriada é utilizada para:
● monitoramento da ovulação
● definição do momento ideal para inseminação artificial
● programação de cobertura natural
● estimativa da data provável do parto
Os valores de progesterona variam significativamente ao longo do ciclo. Concentrações baixas são esperadas no anestro e início do proestro, enquanto níveis crescentes indicam proximidade ou ocorrência da ovulação.
Alterações inesperadas podem estar associadas a:
● cistos ovarianos
● pseudociese
● piometra
A análise deve sempre considerar o momento do ciclo estral e o quadro clínico.
A progesterona elevada e sustentada exerce influência direta sobre o endométrio, favorecendo alterações uterinas que podem predispor ao desenvolvimento de infecções, como a piometra.
Em pacientes com sinais como secreção vaginal, apatia ou febre, a dosagem hormonal pode complementar a investigação diagnóstica. A interpretação integrada entre exame físico, exames de imagem e análise laboratorial aumenta a segurança na tomada de decisão clínica.
A dosagem de progesterona deve ser realizada com metodologia confiável e, quando indicado, de forma seriada. Pequenas variações podem impactar decisões reprodutivas importantes e influenciar diretamente os resultados clínicos.
Na prática, a confiabilidade analítica é determinante para a definição do momento exato da ovulação, principalmente em protocolos que envolvem inseminação com sêmen refrigerado ou congelado, nos quais a janela fértil é mais restrita. Resultados imprecisos podem levar a coberturas fora do período ideal e comprometer taxas de gestação.
A progesterona é ferramenta estratégica na reprodução veterinária, mas sua utilidade depende da interpretação adequada e do suporte laboratorial preciso.
No ZooGene, a dosagem hormonal é realizada com rigor técnico, auxiliando o médico-veterinário em decisões mais seguras e assertivas.
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A insuficiência pancreática exócrina (IPE) é uma condição clínica relevante na medicina veterinária, especialmente em cães, e pode passar despercebida quando não investigada adequadamente. Trata-se de uma doença caracterizada pela incapacidade do pâncreas exócrino de produzir e secretar quantidades suficientes de enzimas digestivas, essenciais para a digestão e absorção adequada dos nutrientes.
Quando não diagnosticada e tratada precocemente, a IPE compromete de forma significativa o estado nutricional do animal, impactando sua qualidade de vida e podendo levar a complicações secundárias importantes. Por isso, a avaliação correta da função pancreática é essencial diante de sinais clínicos sugestivos.
O pâncreas exócrino é responsável pela produção de enzimas digestivas, como amilase, lipase e proteases, que são liberadas no intestino delgado para atuar na digestão de carboidratos, gorduras e proteínas. Quando essa produção é insuficiente, ocorre má digestão e má absorção dos nutrientes ingeridos.
Como consequência, mesmo com ingestão alimentar adequada ou aumentada, o organismo não consegue aproveitar os nutrientes de forma eficiente, levando ao aparecimento de sinais clínicos característicos.
Os sinais clínicos da IPE em cães estão diretamente relacionados à má digestão e má absorção intestinal. Entre os mais comuns, destacam-se:
● perda de peso progressiva;
● polifagia, mesmo com emagrecimento;
● fezes volumosas, pálidas e mal formadas;
● esteatorreia, caracterizada por fezes com aspecto gorduroso;
● flatulência;
● diarreia crônica;
● pelagem opaca e sem brilho.
Esses sinais podem variar em intensidade e, muitas vezes, são confundidos com outras enfermidades gastrointestinais, o que reforça a importância do diagnóstico laboratorial específico.
A IPE pode ter diferentes origens. Em cães, a causa mais comum é a atrofia acinar pancreática, especialmente em raças predispostas. Outras causas incluem:
● pancreatite crônica avançada;
● destruição progressiva do tecido pancreático;
● doenças inflamatórias crônicas;
● causas congênitas, menos frequentes.
Independentemente da causa, o resultado final é a redução significativa da produção de enzimas digestivas.
O TLI (Trypsin-Like Immunoreactivity) é considerado o padrão ouro para o diagnóstico da insuficiência pancreática exócrina em cães. Esse exame mede, por método imunológico, as concentrações séricas de tripsina e tripsinogênio, substâncias produzidas exclusivamente pelo pâncreas exócrino.
Como pequenas quantidades dessas enzimas são liberadas continuamente na circulação sanguínea, sua dosagem reflete de forma direta a capacidade funcional do pâncreas. Quando há comprometimento significativo da função pancreática exócrina, os níveis de TLI encontram-se reduzidos.
Entre as principais vantagens do TLI, destacam-se:
● alta sensibilidade e especificidade;
● excelente correlação com a função pancreática exócrina;
● confiabilidade diagnóstica;
● padronização e validação em medicina veterinária.
Essas características tornam o TLI o exame mais seguro para confirmar ou descartar a IPE.
Embora o tripsinogênio esteja relacionado à função pancreática, sua dosagem isolada não é recomendada como método diagnóstico principal para a insuficiência pancreática exócrina. Isso ocorre porque esse parâmetro apresenta:
● baixa confiabilidade;
● grande variabilidade individual;
● interferência de fatores extra-pancreáticos;
● ausência de padronização adequada na rotina veterinária.
Essas limitações podem levar a resultados inconclusivos ou incorretos, atrasando o diagnóstico e o início do tratamento adequado.
O diagnóstico precoce da insuficiência pancreática exócrina é fundamental para o sucesso terapêutico. Uma vez diagnosticada, a IPE pode ser controlada com reposição enzimática adequada, ajustes dietéticos e acompanhamento clínico regular.
Quando o tratamento é iniciado precocemente, a maioria dos cães apresenta:
● melhora significativa do ganho de peso;
● normalização das fezes;
● redução da polifagia;
● melhora da qualidade de vida.
Por isso, diante de sinais clínicos sugestivos, a solicitação do TLI deve fazer parte da rotina diagnóstica.
No ZooGene, a realização do TLI segue rigorosos padrões de qualidade, garantindo resultados confiáveis e seguros para apoiar a decisão clínica. Além disso, o laboratório oferece assessoria científica especializada, auxiliando médicos-veterinários na interpretação dos resultados e na condução dos casos.
A escolha correta do exame é um passo essencial para transformar sinais clínicos inespecíficos em diagnósticos precisos.
A insuficiência pancreática exócrina em cães é uma condição que exige atenção clínica e diagnóstico laboratorial adequado. O TLI se destaca como o exame de escolha por sua alta confiabilidade e precisão, sendo indispensável na investigação da função pancreática exócrina.
Investir em um diagnóstico correto é garantir o melhor cuidado ao paciente canino, permitindo intervenções precoces e eficazes.
Sexta também é dia! Um excelente dia de trabalho a todos!
Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), está estimado uma